Não posso deixar de partilhar uma preocupação. O Sporting Clube de Portugal é uma grande instituição e não merece o que está a passar, para bem do desporto em Portugal e acima de tudo para o futebol português.
Durante algum tempo, principalmente na altura das grandes vitórias do FCPorto, pensei que o campeonato português era competitivo, recheado de bons executantes e treinadores com enorme valor. Hoje a minha opinião é diferente. Competitivo não é. Bons executantes, contam-se pelos dedos e treinadores com valor são dois, três, muito por culpa das condicionantes. Mas já chego lá.
No meu entender há duas equipas acima da média, outras três equipas com alguns jogadores capazes de resolver jogos e emprestar alguma qualidade ao jogo e o resto são jogadores banais.
Competitividade este ano está muito nivelada por baixo. Vamos assistir durante este campeonato muitos jogos decididos pela margem mínima, sem história e sem espectáculo. O empate fora é um excelente resultado, a derrota...acontece! Tirando o Porto e Benfica (que realmente jogam para ganhar, arriscam e dão espectáculo), o Braga, Sporting e Vitória de Guimarães que têm mais que dois jogadores bons no plantel, as restantes equipas jogam pouco, apresentam-nos jogos monótonos, sem história e sem ocasiões de golo (objectivo fundamental deste desporto). Esta competitividade (fraca) aparece como consequência da falta de qualidade. Se no Porto e Benfica existe qualidade para formar um onze de qualidade, no Braga, Sporting e Guimarães contam-se pelos dedos de uma mão os atletas de qualidade. Só e apenas só esses jogadores não sobressaem num campeonato pobre e fraco. Só e apenas só estes jogadores não constituem uma equipa de qualidade.
Os treinadores têm culpa. Foi com muita tristeza que vi a atitude do Olhanense no Dragão.Com dois golos de desvantagem ao intervalo, o Daúto nada fez para alterar o rumo do jogo. Não arriscou nada. Perder por dois zero sem remates à baliza, é melhor que perder por 3,4 golos com ocasiões de golo e com a procura de alterar os acontecimentos. Isto acontece com 98% dos clubes que jogam contra Porto e Benfica. Que dizer do Marítimo que, apesar de nova liderança (em transição, parece), que com chutões para a frente conseguiu ter uma oportunidade de golo contra o Benfica?! Outros jogos, do chamado campeonato nivelado muito por baixo, observamos o resumo e nem uma ocasião de golo assistimos. Excepção feita, talvez, à Academica contra o Guimarães, ou o Paços com Braga, mas é caso raro no nosso futebol.
No dia seguinte ao Olhanense-Porto, sentei-me a ver o Bolton- Manchester. Resultado 2-2. Manchester sempre em desvantagem no resultado. E porquê? Bolton não se contentava com o empate em casa com um candidato ao título. Esta a diferença. Chamem-lhe diferenças de mentalidades, de culturas, económicas ou de qualidade, mas a realidade é esta. Joga-se para ganhar. Joga-se para o espectáculo. Joga-se para os 3 pontos.
Por fim, continuo a gostar do futebol Português, a estudá-lo, analisá-lo e se possível, um dia, fazer parte dele, mas deixo aqui um desabafo, uma preocupação. Será necessário mudar atitudes e valores, melhorar a qualidade de todos os intervenientes do espectáculo e acima de tudo, mudar a mentalidade de muitos dirigentes, treinadores e jogadores para que se preocupem em lutar pela vitória e pelos golos, repito, o objectivo fundamental/principal do futebol. Viva ao Futebol Português!
Tiago Moutinho Ribeiro